quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A mensagem da Senhora

Senhores Doutores, Excelências,
Cheguei bem recentemente à conclusão (alguma aragem viral da crise financeira!), quando falhei a primeira prestação da minha casa modesta, mas asseada, que os senhores – excelências? – banqueiros tiveram uma pequena ajuda do Estado para prover as suas necessidades do dia a dia: comprar arroz “Carolino” e leite “Mimoso” e a farinha “33” e essas minudências do estômago.
Pus-me a pensar – coisa de que não sou pródigo - e desloquei-me ao banco para pedir o formulário de ajudas de custo que o Senhor Primeiro Ministro (estou convencido, de que devidamente autorizado com escritura e carimbo aposto pelos Chefes de Bruxelas) disponibilizou para essas coisas do arroz e géneros afins.-
Não sei se por ser o único português residente, a não ter sido registado à nascença por Senhor Doutor, senhor Doutor Professor, senhor Professor Doutor, Senhor Comendador, senhor Excelência, Excelência senhor, a rapariga do banco, muito simpática ,informou-me -depois de consultar os superiores -, que para mim não havia fundos.
Nunca tendo garantias provadas de gestão ruinosa, não reunia as devidas competências para poder continuar a comprar o arroz que tanta falta me faz - e se é que o faço bem, seja com polvo, bacalhau ou mesmo frango!
Como não sou de fazer perguntas e aceito bem os que os Senhores Doutores me dizem (não fosse eu um bom Português), fui para casa, pensar no almoço.

Já tinha ouvido dizer que isto dos milagres e das conversas com o além, não têm horas nem sitio marcados e não é que enquanto apurava o refugado de batatas, um raio de luz vindo da chaminé me penetrou pelo cocuruto e me revelou uma mensagem da Senhora (como não disse o nome penso ser a nossa, a de Fátima).
Passados os tremores, a cacofonia, e um par de copos de tinto bem medidos, passo a transmitir a mensagem;
“meu filho (é sempre assim que os Deuses se dirigem a nós!), tens uma missão espinhosa. Dai as bem aventuranças aos Senhores políticos que vos governam , e bem, e transmiti-lhes esta mensagem de apreço.
“Estais, ovelhas tresmalhadas muito bem guiados pelo bastão dos vossos abnegados pastores, mas como eles andam tão ocupados com os afazeres e a compaixão misericordiosa da ajuda ao próximo, transmiti-lhes, uma ideia , que vos porá de novo na ponta da Europa (creio que aqui não se referia à situação geográfica!) e sereis de novo exemplo para o mundo.
“Daí a todas as crianças, a partir dos seis anos, o título de “Senhor Doutor”, o “Magalhães”, e um emprego vitalício num “call center” da PT em Bangalore ou Cabo Verde, ou em alternativa num “off-shore” simpático.
Se problemas houver, não tenhais receios de pedir opinião sobre esta última alternativa, numa reunião do Conselho de Estado.
Sua Senhoria , Excelentíssima, o Pai da Nação, não se oporá certamente a que vos aconselhais com alguns sapientíssimos e mui nobres Conselheiros.
Acima de tudo está a “coisa pública”, e quando se trata do arroz “Carolino”, unamo-nos para fazer ver ao Mundo a capacidade de inovação da nossa boa governança.
Com esta medida ides poupar muito dinheiro , que como cristãos ou laicos de avental, podeis usar na obra do senhor ajudando os mais necessitados.

Quanto não agradecerão com laudas e cânticos os pequenos e frágeis accionistas dos BC’s e BP’s deste País.
Quanto não agradecerão os mais de cem mil professores, que sem alunos e aulas para dar, poderão contribuir com a sua força e empenho nas construção das grandes obras públicas que tanta falta nos fazem, poupando os emigrantes que com tanto empenho e diria quase patriotismo, nos têm ajudado.
Que poupança não vai trazer em ordenados, carros, motoristas e gasolina, a redundância das pastas da Educação, Obras Públicas e Economia.
Já estou a imaginar a senhora Ministra a poder sorrir, o Senhor Ministro a falar em francês com as netas embevecidas, o outro Ministro a gozar do ALL-garve só para si, durante todo o ano, a organizar festas entediantes para os seus amigos entediantes e fúteis.
E que dizer de todas as escolas vazias, e do seu valor imobiliário incomensurável.
Com esta medida, não só ganharia a Pátria, uma nova voz no concerto do Mundo, como sua Senhoria Excelência o Senhor Primeiro _ quizá um lugarzinho importante no estrangeiro! –e até o Pai da Nação (se não amuar por as ideias não serem suas), que bem quem poderia ficar na história contemporânea como o Sebastião renascido”

E isto disse a Senhora, e eu humildemente pedi ao meu filho que o enviasse com a máxima celeridade, através do ciber-espaço, para usufruto de Vossas Senhorias.

Sempre humilde servidor e contribuinte empenhado,

Luis Robalo

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